História do Fusquinha Marrom 1967, o "xodó" de Teodoro
Texto de Igor de Carvalho Sobral, escrito sobre seu pai Teodoro F. Sobral Neto Mesmo tendo aprendido a dirigir numa Kombi 1960, num Gordini 63 e depois num 65, a paixão de papai por carros antigos começou com o famoso “fusquinha marrom”, inicialmente de propriedade de seu pai Amílcar. Essa paixão dura até hoje, tendo iniciado em sua adolescência. Vejamos como Teodoro foi atrás de seu sonho de adquirir para si o fusquinha marrom:
Durante todo o ano de 1970, seu 1º de universidade em Brasília, Teodoro não estudou “motorizado”. Locomovia-se de ônibus e em caronas. Ia para o então CEUB (atualmente UniCeub) de ônibus e, como ele mesmo diz, nunca deixou de ter uma carona de volta com colegas de faculdade, seja para a W3 Sul (altura da 510), para o eixinho de cima (Eixo W) ou somente até a rodoviária do plano piloto; de lá pegava um ônibus para a 310 Sul onde morava no bloco c, apartamento 402.
Por seu jeito de vendedor desde a adolescência, quando vendia revistas já aos 10 anos, em seus tempos de estudante em Brasília pegava volantes da loteria esportiva nas lojas e mandava de avião para Teresina (4 representantes) e para Floriano.
O dinheiro das vendas dos volantes (que os jogadores preenchiam e era enviado de avião para perfurar no DF) em Floriano era divido entre Teodoro, Amílcar e um terceiro sócio, Milton Sá, que era funcionário de seu pai. Papai disse a Amílcar para guardar a sua parte do dinheiro para que ele a usasse para dar entrada num fusca novo. Mas quando chegou em Floriano em julho de 1971, ficou triste com a notícia de que seu pai Amílcar havia utilizado todo o montante para outros fins...
Naquelas férias de julho de 71, ia semanalmente de Floriano à capital para receber os volantes vendidos lá, para enviá-los via aérea para o DF. Logo na primeira viagem, estava em Teresina, na Praça Saraiva, quando se aproximou um vendedor de bilhetes da loteria estadual do Piauí e, como o próprio Teodoro nos contou, “com vários bilhetes em uma mão e apenas 1 na outra”. O biografado viu aquilo como um “sinal” e comprou o bilhete único. Tratava-se do nº 3890.
No dia seguinte, um sábado à tarde, já em Floriano, estava indo fazer a barba na barbearia do Zé Venâncio quando viu o resultado: ganhou o 2º prêmio, 3 mil cruzeiros, moeda da época. Nem fez a barba e saiu correndo para casa contar à sua mãe. Com tal dinheiro, fez a seguinte proposta, aceita por seu pai: Teodoro ficaria com o xodó fusquinha marrom 67, com os 3 mil seu pai daria entrada num fusca novo para ele e pagaria as 12 prestações restantes. Antes de voltar a Brasília, papai deu um "grau" (revisão geral) no fusca na oficina do mestre Manoel, em frente ao Colégio Industrial. O carro foi levado pelo “Antônio Chofer”, motorista de Dr. Cícero Rocha, pela BR 101 Rio — Bahia até chegar no DF. Naquela época, não prestava a estrada por Corrente e Barreiras. Em março de 72, incrementou o fusca com pneus tala larga, entrada de ar, direção de fórmula 1, faróis de milha e faixas nas laterais. Na volta, em dezembro de 73, após se formar e ter usado 2 anos e
meio lá o carro, levou-o pela Belém — Brasília Joaquim José de Silva Xavier, motorista de confiança da família, que foi de avião especialmente buscar o fusquinha para Floriano, tendo sido usado até ser comprado em setembro de 75 um Maverick 74 usado. Quando papai comprou outros automóveis, guardou-o em garagens até colocá-lo no Museu do Automóvel que fundou em 2000 e, aos poucos, foi adquirindo sempre outros carros; e também quando comprava um novo, não o vendia, e colocava-o no museu. Assim foi criado seu museu, que há tempos tem 25 antigos de diversos modelos. O fusquinha marrom é a “moeda nº 1” do museu, sempre é conservado com nova pintura quando assim é necessário. Obs.: em out/1967 esse carro foi comprado em Três Corações, Minas Gerias, por um intermediário de vendas, Ibraim Borabi, pois em Flo não havia revenda Volks. Só em 1969 o Sr. Antão Reis abriu uma.
Foi trazido em cima de um caminhão, tendo chegado em Flo em 19/10/1967. O intermediário ganhou uma comissão de Dr. Amílcar. Nesse mesmo caminhão, vieram mais dois outros fuscas da mesma cor, vendidos para Dr. Antonio Henrique Drumond e Sr. Eduardo Ferreira Camarço. Os 3 carros da mesma cor durante vários anos circularam em Floriano.



Fusca marrom atualmente.