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Teodoro Sobral, o gigante da cultura piauiense

Teodoro Sobral, o gigante da cultura piauiense

TEODORO SOBRAL,

O GIGANTE DA CULTURA PIAUIENSE (Publicada em 07/07/2014)

Foto da pág. 233

Teodoro Sobral é único! Ao usar artigo definido para intitulá-lo como O Gigante da Cultura Piauiense, desejo determinar que, no meio empresarial do Piauí — quiçá do Brasil —, já não existe homem de tal porte, que dedique grande parte de seus lucros e de seu precioso tempo à divulgação de nossa cultura, de nossos valores, de nossa tradição, da vida de homens e mulheres que fizeram a pujança de nossa história.

Em passado um tanto distante, houve outro abnegado assim, Ranulpho Torres Ramoso, capitaneando o Almanaque da Parnaíba, alentada publicação anual de 350 páginas, que conseguiu manter-se em circulação de 1923 a 1980, ano em que teve sua edição interrompida, quem sabe devido a problemas financeiros. Nesse almanaque, aprendi, durantes os serões de Dona Maria Bezerra, minha saudosa mãe, a ler os primeiros textos sérios de minha vida, em voz alta, interpretando-os depois, para os demais. Aqui, três capas dessa preciosidade. Bos

anos

Foto da pág. 234

Hoje, a totalidade das crianças e dos adolescentes não sabe o que são almanaques e a alegria que eles traziam aos brasileiros de outrora, à disposição de qualquer um, grátis, nas farmácias e drogarias brasileiras. Valendo-me de minuciosa pesquisa do Teodoro, apresento-lhe a capa de alguns:

O mais famoso deles, Almanaque Capivarol, trazia, na última página, uma Carta Enigmática, a cujos decifradores prometia brindes especiais. Prometiam e cumpriam!

Teodoro Sobral parece ter assimilado a sabedoria de Ranulpho, seus benfazejos eflúvios, bem como a tradição do almanaque. É o que se pode facilmente deduzir com leitura deste seu primeiro trabalho no campo editorial:

Com 202 páginas, este compêndio, altamente iconográfico, contém informações sobre hotéis, bares e restaurantes, lojas, indústrias, prestação de serviços, teatro, museus, igrejas, escolas, casas de show, boates e danceterias, rádios, jornais e televisão, passeios ecológicos, políticos, juízes, times de futebol, clubes de serviços, cinquentenário da cidade, cinemas, blocos de Carnaval, associações de classe, misses, hinos, principais ruas, curiosidades municipais, tipos populares, companhias aéreas e muito mais, de hoje e de ontem, configurando-se, assim, em verdadeiro almanaque, nos moldes mais tradicionais.

Nele, é riquíssima a pesquisa de imagens. Como pequena amostra, disponibilizo a vocês duas de suas páginas, estampando propagandas comercias de antanho:

Vejamos, agora, um pouco da biografia desse admirável sonhador, cuja amizade por demais nos honra.

Teodoro Ferreira Sobral Neto é florianense, nascido em 26.6.1951, filho único de Amilcar Sobral e Jacy Guimarães Sobral. Casado com Maria do Socorro Carvalho Sobral, tem 4 filhos: Valéria, Igor e as gêmeas Paula e Sofia.

Seu avô, Theodoro Ferreira Sobral, nascido em Amarante (PI) no dia 7.1.1891 e radicado em Floriano, fundou, em 1911, sua Empresa Farmacêutica, embrião do Laboratório Sobral, do qual falarei mais adiante. Seu pai, Amilcar Ferreira Sobral, nascido em Floriano em 13.10.1917, inicialmente militar, depois médico, deu continuidade aos negócios da família e agilizou as operações da empresa, que passou a se denominar Laboratório Sobral.

Com os estudos iniciados no Piauí, o jovem Teodoro bacharelou-se em Economia pelo Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, em 1973, vendeu um apartamento em

Brasília, presente do pai e, com o dinheiro obtido, retornou a sua cidade natal, onde se entregou a dar novos rumos e modernizar o Laboratório Sobral. O sucesso não tardou — foi imediato. Hoje, é um empreendimento vitorioso, reconhecido e admirado nacionalmente.

O amor por Floriano fez de Teodoro um garimpeiro, pesquisando, ouvindo, anotando, juntando documentos, e dados que lhe dissessem respeito. Isso, mercê de seu espírito empreendedor e pertinaz, gerou maravilhosos frutos. Hoje, possui o maior e mais completo documentário fotográfico da região.

Nele, ressalto o museu iconográfico sobre as embarcações que singraram a Bacia do Parnaíba, transportando pessoas, mercadorias, o progresso, enfim, às cabeceiras de seus afluentes, do qual me vali, quando na elaboração de meu livro De Balsas para o Mundo.

Nossa amizade começou ali. Mas Teodoro não se ateve apenas a enviar-me imagens pela Internet. Mandou editar algumas e até compareceu a meu apartamento aqui em Brasília, por duas vezes, acompanhado de Cristóvão Augusto Soares de Araújo Costa, fiel escudeiro, para trocarmos figurinhas e informações. Devo mencionar também Luiz Paulo de Oliveira Lopes e Rosenilta de Carvalho Attem como eficazes colaboradores no Estado- Maior desse Gigante.

Em 2011, comemorando o Primeiro Centenário do Laboratório Sobral, presenteianos ele com novo almanaque, contendo 208 páginas.

O autor desse texto, Raimundo Floriano, faleceu em dezembro de 2025, aos 89 anos, em Brasília, onde residia. Foi a única pessoa que esteve na cidade nos 65 aniversários da capital: 21/04/1961 a 21/04/2025.

Foto da pág. 235

Escolhi dele, aleatoriamente, algumas páginas, para que os leitores tenham pálida ideia das preciosidades que contêm, como propagandas dos produtos do Laboratório e sua foto:

Teodoro Sobral se fez tão grande que essa magnitude ultrapassou os limites de sua paróquia, fez-se presente por todo o Piauí, transformando cada coestaduano em amigo íntimo, empatia essa traduzida pelo nome como é conhecido por todos: Teodorinho. E é como Teodorinho que passo a chamá-lo agora.

Teodorinho distribui, anualmente, para sua clientela, um bonito calendário. Alguém pode argumentar que a Caixa Econômica Federal o faz também, mas eu rebato, citando que a Caixa é financiada por recursos públicos, o meu, o seu dinheiro, enquanto Teodorinho age por seus próprios meios. E não é só isso. Para facilitar a vida das esferas mais carentes de seus

conterrâneos, Teodorinho produz medicamentos genéricos de indicações as mais variadas. Vejam as capas de alguns calendários e os genéricos do Laboratório Sobral:

Teodorinho é incansável. Ele e seus colaboradores acima citados, com apoio da Fundação Floriano Clube, lançaram-se em novo empreendimento editorial. Com a denominação de Florianenses, o Volume 1, com 130 páginas, foi espécie de balão de ensaio, para testar sua aceitação. Com seu estrondoso sucesso, foi lançado o Volume 2, este com 320 páginas:

Foto da pág. 236

No ano passado, Teodorinho me enviou mensagem solicitando os perfis de Seu Rosa Ribeiro, meu pai, e de Tio Cazuza Ribeiro, dois florianenses que, no início do século passado, ainda adolescentes, navegaram a Bacia do Parnaíba, rios acima, para fixarem-se em Balsas, onde foram pioneiros da colonização e onde construíram uma prole que hoje ultrapassa a casa dos 200 componentes.

Meu Tio Cazuza constará do Volume 4, a sair no próximo ano. Meu pai, mesmo em plagas longínquas, nunca parou de amar sua terra natal, deixando 1sso bem patente ao batizar-me com seu nome — Raimundo Floriano —, o que me fez também venerá-la com ardor. Seu perfil encontra-se no Volume 3, lançado inicialmente em Floriano, no dia 5 de julho, sábado passado, nas comemorações do aniversário da cidade, que ocorrerá amanhã, dia 8, como se vê no convite abaixo. Posteriormente, haverá mais dois lançamentos, um em Teresina, capital piauiense, e outro aqui em Brasília.

Tudo isso é almanaque, tudo isso é Teodoro Sobral, o Teodorinho, o gigante, inexpugnável baluarte na defesa e preservação de nossos valores culturais!

Salve Teodorinho Sobral, orgulho da gente piauiense!

Salve Teodorinho Sobral, honra e glória da Filha do Sol do Equador!